sábado, 2 de junho de 2012
sexta-feira, 25 de maio de 2012
quinta-feira, 24 de maio de 2012
A Luz da Ortodoxia
-
Porque a Luz da Ortodoxia não se deixa macular, você pergunta? Porque é
o próprio Deus que a mantém na verdade, é o próprio Cristo que se
sacrificou pela sua inexorável pureza, é o próprio Espírito Santo que
nela brilha e santifica todos os pobres homens, decaídos e desesperados.
Nada há de absoluto e intransponível que não venha do alto, e é do
Altíssimo que descem todas as salutares bênçãos que cobrem a Igreja e
seus fieis! Como sugerir que essa Luz possa ser maculada?
-
Deus é fato muito bom, abouna. Mas e os homens decaídos? Não trazem eles
vergonha e miséria à Santa Igreja? Continua ela sendo santa com toda a
fornicação, imoralidade, perjúrio, calúnia, violência e tirania que são
derramadas até pelos iluminados pelo batismo?
- Mas é claro,
meu filho querido. Todas as maldades são obra do maligno, maligno que
habita em nós, que perturba nossos sentidos e emporcalha nossas almas,
tudo é obra da vontade que se quebra como onda sobre a rocha da fé que
pede muito sacrifício. O Enganador nos tenta no íntimo e nos arrasta aos
abismos mais escuros, tudo que ele e seus anjos demoníacos intentam
fazer é nos derrubar, nos arrastar ás paixões vis e aos prazeres
obscuros, tudo para nos arrasar a alma, nos roubar a Luz divina que nos
transforma, purifica, eleva e deifica.
Mas a Luz, filhinho meu,
permanece intacta, ela continua a fluir na Igreja como o sangue pelo
corpo, a vida pelos veios do mundo. A Igreja permanece santa e imaculada
graças à Luz derramada sobre ela, graças ao sangue expelido, graças ao
Amor feitor carne. O Cristo é a garantia da santidade da Igreja em meio
às tempestades da vida. Queres melhor garantia, filho meu?
Não
te enganas, filhinho. Não deixas as novas doutrinas e desconfianças
desse mundo perverso taparem teus olhos, te enganarem com falsas
promessas de felicidade terrena, prazeres breves e maravilhosos, não
caias nas teias dos filósofos das mentiras, dos arquitetos de sonhos
mundanos. Não! Confia na Igreja, segue o Cristom obedece o Pai, e
banhe-se na Luz do Espírito! Leia os santos Padres, receba os
santíssimos Dons, ore com frequência e ame o Senhor com todo o teu amor e
entendimento. Creia, perdoe, espere, ame, ame, ame, e ame mais!!!
- Perdoa, abouna, perdoa minha falta de fé. Ora pela minha alma com teus puros lábios!
- Sou um poço de pecados, meu filho. Mas orarei por ti, que és um filho
muito amado e por quem choro quando pecas. Reza tu por mim também, eu,
que sou um pecador miserável!
- Oras por mim, abouna, que meus pecados são incontáveis!
- Tu és responsável pelos pecados do mundo inteiro! Oras por mim e por
todos, para que Ele seja tudo em todos e vejamos a Luz da vida eterna.
-Amin! Amin! Amin!
Caio Alves Cordeiro
Paroquiano da Igreja São Jorge de Santos
segunda-feira, 21 de maio de 2012
sexta-feira, 18 de maio de 2012
quarta-feira, 16 de maio de 2012
segunda-feira, 14 de maio de 2012
sábado, 5 de maio de 2012
quinta-feira, 26 de abril de 2012
A Questão do Filioque - Padre John Meyendorff
tradução: Pe. Gregório Teodoro
Catedral Metropolitana Ortodoxa Antioquina de São Paulo
* para reproduzir e/ou utilizar o texto, favor dar os créditos de autoria e tradução
"Os bizantinos consideravam a questão do Filioque como
o ponto central de divergência com Roma. Em sua opinião, a Igreja
latina, ao aceitar o Credo com uma interpolação, não somente se opunha
ao texto adotado pelos Concílios Ecumênicos como expressão da fé cristã
universal, mas também atribuía autoridade dogmática a uma falsa
concepção da Trindade.
Entre os bizantinos, mesmo
entre os que poderiam ser considerados mais moderados, como, por
exemplo, o Patriarca Pedro de Antioquia, que se opôs sistematicamente ao
antilatinismo de Miguel Cerulário, Patriarca de Constantinopla, se
sustentava que essa interpolação era não somente “um mal, mas o mais
pernicioso de todos os males.”
De maneira geral os
bizantinos não tinham perfeito conhecimento das complicadas
circunstâncias históricas que levaram à aceitação do Filioque no
Ocidente, como o fato de que a interpolação desse termo no Credo se
produziu na Espanha, no século VI, como forma de reforçar a postura
antiariana da Igreja espanhola; a difusão do Credo com a interpolação em
todo o império franco; o uso que Carlos Magno fez da interpolação em
sua polêmica antigrega; a referência que alguns teólogos francos fizeram
posteriormente à obra de Agostinho “De Trinitate”, para justificar a interpolação (embora o próprio Agostinho nunca a tenha pleiteado); e, finalmente, a aceitação do Filioque em Roma, provavelmente em 1.014.
Fócio foi o primeiro a apresentar, da parte grega, em 866, uma
exaustiva refutação do termo interpolado, classificando-o não somente
como uma alteração textual introduzida no Ocidente por alguns “francos
bárbaros”, mas como uma arma de propaganda antibizantina entre os
vizinhos búlgaros, recentemente convertidos ao Cristianismo pelos
gregos, fato pelo qual o próprio Patriarca de Constantinopla se
considerava responsável.
Em sua encíclica aos Patriarcas orientais, em 866, Fócio considera o Filioque
como “a coroa de todos os males” introduzidos na Bulgária pelos
missionários francos. Já se viu que a principal objeção teológica à
interpolação era que a mesma comportava a confusão entre as
características hipostáticas das três pessoas da Trindade, resultando numa nova forma de modalismo ou de semi-sabelianismo.
Depois dos Concílios dos anos 879-880, que ratificou solenemente o
texto original do Credo e condenou formalmente todo aquele que se
atrevesse a “compor outra profissão de fé” ou a corromper o Credo com
“palavras ilegítimas, adições ou subtrações”, Fócio se considerou
plenamente satisfeito. Para celebrar o que ele entendia como a vitória
final da Ortodoxia, escreveu uma minuciosa refutação da doutrina sobre a
“dupla processão” – sua célebre “Mistagogia” -, na qual, inclusive,
chegou a felicitar o Papa JoãoVIII por ter tornado possível esse
triunfo.
Depois da adoção definitiva do Filioque
em Roma e em todo o Ocidente, o problema passou a ser alvo de disputas
em qualquer encontro, polêmico ou amistoso, entre gregos e latinos. A
literatura bizantina sobre o tema é extremamente volumosa e o mesmo foi
estudado em algumas obras de referência, como nas monografias de Martin
Jugie, Hans-Georg Beck e outros.
Os argumentos de
Fócio, de que “o Filioque é uma interpolação ilegítima”, destrói a
‘monarquia do Pai’” e “relativiza a realidade da existência pessoal ou
hipostática no seio da Trindade”, constituíam o núcleo da discussão.
Porém, em muitas ocasiões, a controvérsia ficou reduzida a uma
interminável enumeração, de ambos os lados, latinos e gregos, de textos
patrísticos favoráveis a suas respectivas posturas. Porém, em muitas
ocasiões, a controvérsia ficou reduzida a uma interminável enumeração,
de ambas as partes, de textos patrísticos favoráveis a suas respectivas
posturas.
As controvérsias sobre as antigas
autoridades se centravam frequentemente em textos daqueles santos Padres
– especialmente Atanásio, Cirilo de Alexandria e Epifânio de Chipre –
cujo principal interesse residia na polêmica antiariana ou
antinestoriana, ou seja, na ratificação da identidade de Cristo como
eterno e o preexistente Logos divino.
Com referência
ao Espírito Santo se empregavam, inevitavelmente, expressões semelhantes
às adotadas na Espanha, no século VI, onde a interpolação havia
aparecido pela primeira vez. De determinados textos bíblicos, como João
20,22 (“Em seguida soprou sobre eles e disse: ‘Recebei o Espírito
Santo’”) se aduzia a prova da divindade de Cristo: se o “Espírito de
Deus” é também o “Espírito de Cristo” (Romanos 8,9), não há dúvida de
que Cristo é “consubstancial” a Deus. Nesse mesmo sentido se pode dizer
que o Espírito Santo é o espírito “próprio” do Filho, e, inclusive, que o
Espírito “procede substancialmente de ambos”, Pai e Filho.
Em seu comentário a estes textos, no qual reconhecia sua
correspondência com o pensamento patrístico latino, Máximo, o Confessor,
os interpreta corretamente no sentido não de que “o Filho é a origem do
Espírito”, pois “somente o Pai é a origem do Filho e do Espírito
Santo”, mas de que “o Espírito procede ‘através’ do Filho, expressando,
assim, a unidade de natureza”. Em outras palavras, da atividade do
espírito no mundo depois da Encarnação se pode deduzir a
consubstancialidade das três pessoas da Trindade, porém não se pode
inferir nenhuma causalidade na eterna relação pessoal entre o Filho e o
Espírito.
No entanto, alguns teólogos denominados
“latinófronos” (“de mentalidade latina”) pelos bizantinos, especialmente
João Beccos (1275-1282), entronizado como Patriarca pelo imperador
Miguel VIII Paleólogo, com a missão explícita de promover a “União de
Lyon” (1274), se esforçaram por encontrar textos patrísticos gregos
sobre a processão do espírito “através do Filho”, em favor do Filioque latino. Segundo os “latinófronos” tanto “do Filho” como “através do Filho” eram expressões legítimas da mesma fé trinitária.
A réplica habitual da parte ortodoxa consistia em demonstrar que na
Teologia bíblica e patrística a processão “do” ou “através do” Filho se
refere aos carismas (“charismata”) do Espírito Santo e não à sua própria
existência hipostática. De fato, pneuma pode se referir tanto
ao que doa como ao dom em si mesmo, e, em último caso, a processão do
Espírito “do” ou “através do” Filho – através do Cristo histórico, do
Filho feito homem – ocorre no tempo, e, portanto, não é equiparável à processão eterna do Espírito da hipóstase do Pai, única “fonte da divindade.”
No entanto, os principais teólogos ortodoxos dos séculos XIII e XIV
taxaram de insuficiente essa réplica. Gregório de Chipre, sucessor de
Beccos no Patriarcado (1283-1289) e Grão-Chanceler do Concílio (1285),
que rejeitou oficialmente a “União de Lyon”, procurou fazer com que a
assembleia aprovasse um texto que, ao invés de condenar o Filioque,
reconhecesse uma “eterna manifestação” do Espírito através do Filho. O
que serviu de contexto à postura conciliar foi a noção de que os
carismas do Espírito não são realidades temporais criadas, mas a eterna
graça incriada, ou “energia” de Deus. A essa vida divina incriada o
homem só tem acesso no corpo do Logos feito homem. Por conseguinte, a
graça do Espírito não nos chega “por meio” ou “do” Filho; o que nos é
concedido não é a própria hipóstase do espírito nem uma graça temporal
criada, mas sim a “manifestação” externa de Deus, distinta de sua pessoa
e de sua essência.
Este argumento foi usado também o
grande teólogo ortodoxo do século XIV Gregório Palamás,o qual, como
Gregório de Chipre, reconhecia formalmente que, enquanto energia,
“o Espírito Santo é o Espírito de Cristo, que procede dele; Cristo o
envia com seu sopro e o manifesta, porém, em seu próprio ser e em sua
existência, é o Espírito de Cristo, mas não procede de Cristo, e sim do
Pai.”
Com o passar do tempo se tornou cada vez mais evidente que a disputa sobre o Filioque não
era puramente uma discussão verbal, pois havia um sentido no qual as
duas partes estavam de acordo em afirmar que o Espírito procede “do
Filho”, mas era um debate sobre se a existência hipostática das pessoas
da Trindade poderia se reduzir a suas relações internas, como admitia o
Ocidente após Agostinho, ou se a experiência primária do cristão era de
uma Trindade de pessoas, cuja existência pessoal não se poderia reduzir à
sua essência comum.
O problema era o seguinte: a
“tripersonalidade” ou consubstancialidade foi o conteúdo primário e
essencial da experiência religiosa cristã? Porém, para situar o debate
nesse nível, e empreender um verdadeiro diálogo sobre o núcleo do
problema, as duas partes precisariam entender plenamente a postura uma
da outra; infelizmente isso nunca aconteceu. Inclusive no Concílio de
Florença, no qual houve inumeráveis confrontações sobre a questão do Filioque,
a discussão ficou centralizada nos intentos de adaptar as duas
formulações, a grega e a latina. Como decisão final o Concílio adotou
uma definição da Trindade basicamente agostiniana, uma vez que afirmava
que as formulação grega não estava em contradição com ela, mas,
naturalmente, essa medida não foi a solução do problema fundamental."
sábado, 21 de abril de 2012
quarta-feira, 11 de abril de 2012
segunda-feira, 9 de abril de 2012
quarta-feira, 4 de abril de 2012
quinta-feira, 15 de março de 2012
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