O mundo está integrando-se a uma velocidade muito elevada. As razões para essa integração estão nas melhorias tecnológicas nas áreas de informática, comunicação e transportes, avanços políticos importantes, fim da guerra fria e uma compreensão maior das vantagens da abertura econômica entre os países. Em meio a esse turbilhão de transformações, encontra-se a Igreja de Cristo, os cristãos ortodoxos e a sua teologia, que sugere caminhos para a manutenção dos princípios éticos de uma sociedade globalizada.A globalização vem certamente contribuindo para uma melhoria do padrão de vida em escala mundial, embora tenha conseqüências perversas, como o aumento do desemprego estrutural em muitos países, com a desnacionalização do setor produtivo, principalmente em países emergentes, além da concentração da produção e mesmo do comércio em grandes empresas.
Urge nesse momento recuperar a noção cristã ortodoxa de partilha comunitária e solidária, e dar condições para que essa crescente massa dos “sem trabalho” tenha condições de se adaptarem ou ao menos conseguirem um emprego dentro de uma sociedade globalizada de economia transnacional.
A globalização como fenômeno econômico de um novo modo de lidar com o capital, relativiza a manutenção dos recursos naturais disponíveis na terra, para ela o único recurso válido é o cambial/monetário, por isso é fundamental que a sociedade aliada às lideranças religiosas locais e internacionais exija e consuma produtos de empresas que tenham uma clara e concreta política de responsabilidade social e desenvolvimento sustentável e que invistam parte de seu lucro na recuperação dos recursos naturais ora explorados, baseados numa ética de integralização da natureza com a demanda de consumo.
É certo que com a globalização, veio também o notável crescimento das tecnologias de informação. A difusão de novas tecnologias criou novos produtos e novas oportunidades mercantis e gerou maior eficiência produtiva e maiores condições de competitividade para aqueles que têm acesso à informação.
Como estas inovações tecnológicas está disponível apenas para alguns, que objetivamente tem a função de gerar lucro a elas, naturalmente estas tecnologias frutos de estudo e investimento, são utilizadas por um círculo restrito e seleto de empresários e mesmo de Estados desenvolvidos para alavancar uma maior competitividade. A contrapartida desse desenvolvimento restrito, é a exclusão digital de muitos que não tendo acesso a informação, logo não tem acesso às transformações criadas pela competitividade globalizada, levando-os ao empobrecendo paulatinamente.
Em outros casos, os excluídos do lucro digital, tem acesso a rede de informações, mas não como geradores de lucro, mas sim como consumidores subjetivos dos bens, produtos e serviços que são disponibilizados pelo grande conglomerados transnacionalizados.
È verdadeiro que o princípio neoliberal da gestão das informações agrega benefícios dos quais não teríamos o conforto do mundo moderno principalmente no que diz respeito à saúde e a facilitação à pesquisa, porém distorce referências que são fundamentais para o inter-relacionamento afetivo, social e comunitário, surgindo uma preocupante patologia psicossomática motivada pelo isolacionismo cibernético, ou seja, ao mesmo tempo que pela informação podemos nos comunicar com outros em qualquer ponto do planeta coberto por redes de wireless ou cabos de fibra ótica, ao mesmo tempo muitos enfermos da cibernética se distanciam das relações de proximidade com os que estão em seu entorno social, afetivo e comunitário.
Voltando ao assunto proposto por essa resenha, que é a relação do capital com a ética cristã, temos que o capital globalizado estimulado pela propaganda consumista varre a identidade cultural, de forma que antigas referências, como a família, a religião ou a comunidade são afetadas e deixam de cumprir as funções de outrora.
Em muitos lares a religião se tornou objeto de consumo, grande parte da população ligado a uma
É urgente a necessidade de retornarmos as raízes de nossa fé ortodoxa, que pode neste nosso tempo oferecer pistas de reflexão a partir de uma ótica inclusivista, solidária resgatando a partilha vivida na koinonia apostólica de Jerusalém, com o intento de reconstruir um mundo novo, que se baseie numa economia alternativa que visa recuperar a atual economia, que como o próprio nome diz, “é o cuidado da casa que nos pertence”. Esta deve ser colocada a serviço da necessidade de todos, focando o desenvolvimento político, socioeconômico e cultural a partir do povo e para o povo, que é o maior capital sócio-cultural da humanidade e real sujeito ativo de uma globalização pro populo.
in Ódos - Caminho para a Santificação
Padre Daniel de Oliveira Pinheiro
Igreja Ortodoxa Ucraniana
Patriarcado Ecumênico de Constantinopla

Querido padre Daniel,
ResponderExcluiro erro fundamental do processo de globalizacao, é o seu objetivo fim : Criar uma sociedade internacional, no qual os parametros para se determinar o certo e o errado nao sao de forma alguma baseados na existencia de uma Lei de Deus.
É justamente objetivo deste movimento internacionalista, fazer crer que as religioes sao "aspectos culturais", que como tal, devem ser condicionadas (apoiadas ou suprimidas) na medida de sua conveniencia ao objetivo primordial de uma sociedade materialista : A liberdade sem freios para o impulso das paixoes.
O universalismo critão, que rompe todas as fronteiras, é o unico antidoto para a maligna cultura do internacionalismo materialista (que se encontra tanto no liberalismo amoral quanto no socialismo francamente ateu), e a forma de instituir os meios para a Igreja de Cristo atuar no mundo (em contraposicao a este), é lutar contra o dogma da distinçao entre "vida publica, social" e a Lei de Deus, ensinada pela Igreja do Cristo.
A melhoria das condicoes de vida das pessoas nao pode ser observada unicamente pela observancia de certas comodidades concernentes a realidade material,se temos a perspectiva da eternidade.
Daí que o dito progresso materialista dos globalistas so atende ao que entendem ser este mundo a razao de todas as buscas.
Minhas felicitacoes pelo otimo blog, e o meu pedido de sua benção !
Marcelo.
Gostei muito de sua apresentação, meus parabéns.
ResponderExcluirPedro Jaroszczuk
www.iconografobizantino.blogspot.com