Cristãos ortodoxos habitualmente sentem a necessidade de levar uma vida de oração sincera e simples tendo como parâmetro os serviços oferecidos pela sua igreja paroquial. Nesse espaço físico de adoração cantamos os ofícios da Igreja tantas vezes quanto nos é possível, e vamos confrontando estes momentos de oração com nossas dificuldades e necessidades espirituais e temporais.Atentamente assistimos os divinos serviços com ardente fervor do nosso coração, quando participamos da Liturgia como se fosse à única oportunidade dada por Deus a nossa vida de ver com nossos olhos o Céu sobre a terra, com alegria, recolhimento e piedade
Descobrir a oração presente Palavra de Deus que é proclamada através da Liturgia e dos diversos serviços da Igreja, é o escopo de nossa missão, mas sem falsa piedade, sabemos que vivê-la não é algo fácil em nossos dias, por isso em contrapartida as nossas limitações, devemos crer que a Palavra Divina nos encaminha e nos molda quando é lida e ouvida com ardente desejo de torná-la oração.
Reflitamos com Ela a cada dia, no meio das nossas vitórias ou de nossos fracassos; façamos da leitura orante da Palavra de Deus, uma verdadeira devoção diária, testemunhando assim nossa Fé irredutível em suas promessas, transformemos a Sabedoria retirada desta límpida Fonte, em atos concretos realizados pela Igreja em meio ao mundo.
Seremos com certeza um tijolo a mais na construção do Reino de Deus numa sociedade ocidental anticristã e excludente.
A oração é, para nós cristãos ortodoxos, a única forma de nos entregarmos totalmente a nosso Senhor, pois sem este método, não teria sentido na Ortodoxia a Sagrada Eucaristia, a ascese (jejum e mortificação), a contemplação da Deídade, a confissão habitual dos nossos pecados, o kombuskini, os molébens e as panahidas e tudo o mais que faz parte da espiritualidade e da vida eclesial de nossa Igreja.
Chegamos à conclusão que a oração feita com pureza de coração nos transporta como missionários a qualquer lugar, com Ela a nossa alma é tranportada às missões da África, em peregrinação ao túmulo vazio ou percorremos o caminho ao Golgotá na Terra Santa, chegamos aos monastérios de Meterora ou do Monte Sinai, enfim, descobrimos os lugares que estão ocultos aos olhos humanos e intercedemos junto aos santos de Deus a benção ideal aonde ressoa as mais íntimas necessidades de nossa cidade ou país, ambientes que não podemos estar sempre presentes, mas cremos firmemente que a nossa oração a todos estes alcança.
Ela também nos remete a uma vida útil em nossa Igreja, pois a oração são gestos invisíveis para atos visíveis. Com Ela nos transformamos em agentes ocultos a serviço do Reino de Deus, e nos deleitamos com o serviço prestado a quem é verdadeiramente necessitado, como por exemplo os pobres e enfermos. Ela também nos encoraja a abraçar sinceramente os que estão injustamente presos e também aqueles que se arrependeram de uma vida pregressa de transgressões e querem retornar ao caminho do bem, em suma, transformando-nos tudo para todos. 

A oração como diziam os santos na antiguidade “ no remete ao mais alto cume da perfeição”. É neste exercício diário que crescermos em nosso afeto para com Deus e participamos de sua ternura.
O cristão ortodoxo deve ter prazer em rezar todos os dias as orações comuns de sua fé, venerar os santos ícones, conversar e se prostrar diante de Jesus, não com muitas palavras, mas sim com muita súplicas, afetos, gemidos e lágrimas.
Qual cristão ortodoxo que orando sinceramente com o coração não se deixa banhar pelas lágrimas que brotam de suas entranhas, “mesmo que estas lágrimas sejam discretas”, e não sente um aperto de emoção no peito quando se esta diante do seu amado Senhor na certeza de estar sintonizado com a promessa da Palavra de Deus, que é vida em abundância para todos?
Insisto a tempo e a destempo, que seguramente pela oração estamos nos entregando totalmente ao Senhor. Na ousadia da oração imitamos a santidade D'aquele que passava noites inteiras em oração e orava demoradamente, dando-nos assim o exemplo a ser seguido. Os gestos concretos que brotam da oração tornanos a cada dia, dignos e agradáveis ao Senhor.
in Ódos - Caminho para Santificação
Padre Daniel de Oliveira Pinheiro
Igreja Ortodoxa Ucraniana
Patriarcado Ecumênico de Constantinopla

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